Muito oportuna a data, pois estamos em um momento ímpar onde a classe médica juntamente com as entidades que a representam estão aparentemente unidas em torno do assunto “remuneração”.
O panorama é de desarmonia envolvendo baixos honorários por consultas, procedimentos, volume de atendimento e cerceamento de exames . Mas o problema vai além, porque os baixos honorários são decorrentes da terceirização da gestão da profissão dentro do mercado. Nós médicos, terceirizamos porque não conhecemos gestão, e não conhecemos porque não aprendemos nada sobre isto em nossa formação. Não conhecemos o mercado em que nossa profissão está inserida.
Mercado: ambiente onde se realizam as trocas – aqui equalizado na prestação de serviços pelo valor respectivo por sua realização.
Assim como a natureza tem as suas regras - como, por exemplo, a “lei da gravidade”, este ambiente chamado mercado também tem as suas - como, por exemplo, a “lei da oferta e da procura”.
Quanto você acha que pesa? Quanto você quer pesar? A balança determina. (lei da gravidade)
Quanto você acha q vale sua consulta? Quanto gostaria de ganhar? O mercado quem determina. (lei da oferta e da procura)
É este mercado que precisamos aprender a dominar.
Entenda que as operadoras de saúde, que parecem figurar como vilãs da história, se beneficiam da falta de conhecimento sobre gestão por parte da classe médica. Ela oferece benefícios. Um associado, credenciado, etc. não precisa, por exemplo, se preocupar com divulgação e prospecção de clientes. A venda do serviço é feita pela operadora, que tem empresas e particulares como clientes. Nao se imagina um médico sair de seu consultório e procurar uma metalúrgica ou indústria alimentícia e vender consultas/exames. A operadora o faz.
Há determinados perfis de profissionais e o mercado médico é capaz de abranger a todos. Há profissionais sem carisma, que o consultório talvez não seja a melhor área de atuação, mas o mercado oferece oportunidades na área de medicina diagnóstica, pesquisa, ensino, indústria farmacêutica, auditoria, perícia, pesquisa clínica, entre outras.
A área de pesquisa clínica está perdendo espaço para Argentina por falta de médicos pesquisadores brasileiros. Existe um mercado para cada perfil de profissional, o que não existe é um profissional que se enquadre em todos os perfis de mercado.
Voltando as operadoras de saúde: há médicos que fizeram sua vida trabalhando para operadoras. Eles não tem pacientes, a operadora os tem. Ao término de seu horário no ambulatório, eles vão pra casa, não precisam fornecer seu celular, pois não serão incomodados fora de seu horário de trabalho. Terão suas férias programadas, seu salário no dia certo, não tem que administrar glosas, e em geral a remuneração é por hora trabalhada, não tendo custos com secretária, insumos, material de escritório ou papelaria, não tem encargos como décimo terceiro salário a pagar, contabilidade, etc. Sua preocupação é cumprir o horário.
O grande problema com as operadoras de saúde é que nossos profissionais não tem noção de gestão de seus negócios, facilitando o desequilíbrio da relação em favor das empresas que vendem os serviços médicos. Estas empresas são gerenciadas por pessoal extremamente qualificado, não necessariamente em saúde, mas em gestão de negócios.
Este quadro responde a questão proposta acima. Em função deste panorama é melhor que conheçamos melhor o “Marketing Médico”.
Mensalmente trataremos de temas relacionados a esta realidade.
Cordialmente,
M&M Palestras
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